Newsletter Nº52–Jueves 14 de Diciembre de 2006 - Año 1


Fuente: www.cioslorit.org

FÓRUM SINDICAL DISCUTE ALTERNATIVAS DE UNIDADE E INTEGRAÇÃO FRENTE AO LIVRE COMÉRCIO

O Fórum Sindical pela Integração iniciou-se com a participação do secretário de Política Social e Econômica da ORIT, Rafael Freire, que assinalou a importância da presença sindical no debate proposto na Cumbre Social. Ele ressaltou também a necessidade de que o movimento sindical e o conjunto dos movimentos sociais apóiem a idéia de que qualquer proposta de integração deve superar o modelo liberal e dos TLCs.

Valdir Vicente, pela CCSCS, também participou da instalação do Fórum, focando a complexa conjuntura política que vive o governo Evo de Morales na Bolívia diante da pretensão da oposição de bloquear o processo constituinte em curso. Ele argumentou que essa postura da oposição indica que a Constituinte e suas decisões poderiam tocar interesses poderosos.

Os debates iniciaram-se logo depois da instalação do fórum. Os representantes das instancia sub-regionais de coordenação sindical (CCSCS, CCLA e CSACC) mais a Aliança Social Continental situaram a conjuntura regional e a situação desses processos de integração no painel sobre a Integração da América Latina como resposta ao Livre Comércio. Destacou-se a difícil situação da Comunidade Andina diante do fato de seus membros, Colômbia e Peru, terem negociado um TLC com os EUA e de um deles, Venezuela, ter se retirado do bloco .

O quadro política da sub-região também foi analisado. As vitórias de Evo Morales, Lula, Chávez e de Rafael Correa no Equador, configuram uma oportunidade única para o avanço de um processo de integração diferente do conteúdo neoliberal já presente nos processos em curso e nos TLCs que se negociam na região.

A América Central configura um quadro mais difícil para a integração pela dificuldades estruturais históricas e pela forte presença dos Estados Unidos através dos TLCs. No balanço geral da atuação sindical reafirmou-se a necessidade de que o sindicalismo da região jogue um papel ativo na definição dos processos em curso. Tal é o caso da Comunidade Sulamericana de Nações (CASA).

A unidade sindical e o seu papel na configuração de um cenário favorável e a integração foi um tema levantado na intervenção do publico. Os/as assistentes, reconhecendo as dificuldades de abordar a unidade de maneira coerente, assinalaram que sem ela seria mais difícil para o movimento sindical atuar junto a outros atores sociais na configuração de uma integração que desse respostas aos grandes déficits sociais, econômicos e políticos da região. A criação da Coordenadora de Centrais Sindicais Andinas foi saudada como uma importante contribuição ao esforço sindical de atuação na sub-região.

Na tarde, Graciela Rodríguez, CM-ASC e Rede de Mulheres e Comercio, e Patricia Coñoman, da Coordenadora CM-CCSCS, conduziram o debate sobre o "Valor do Trabalho e o Trabalho Reprodutivo: Entendendo a contribuição a contribuição real das mulheres à sociedade". Destacou-se, neste espaço de intercambio, a necessidade da situar e valorizar a forma como as mulheres trabalhadoras contribuem de maneira significativa à economia e as dificuldades para que esta contribuição tenha uma retribuição, tanto do ponto de vista econômico quanto do reconhecimento da sua contribuição social e política. Foi destacado igualmente, que o reconhecimento da presença da mulher trabalhadora como dirigente nas estruturas de condução e direção sindicais é fundamental para garantir o exercício de seus direitos e fortalecer o sindicato diante da realidade de um mercado de trabalho cada vez mais caracterizado pelo papel majoritário da mulher.

O painel final "O Acordo América Latina - União Européia : Um balanço desde o movimento sindical" permitiu situar o estado da negociação entre os distintos blocos sub-regionais e a UE. Destacou-se, que ainda que o ambiente de negociação seja mais aberto e participativo que os TLCs de EUA ou a ALCA, os conteúdos do acordo não são muito diferentes em seu conteúdo neoliberal e têm uma agenda própria das multinacionais européias, às vezes mais agressivas que as estadunidenses ou de outras regiões do mundo. A participação sindical no espaço de dialogo e a articulação entre os sindicatos da América Latina e Europa será chave na estratégia de participação nas negociações. O próximo ano apresenta-se muito ativo quanto a estas negociações o que mostra desde já a necessidade de coordenação e articulação de estratégias entre as instancias de coordenação sindical na região e destas com a Confederação Européia de Sindicatos (CES).

Rafael Freire, encerrando o Fórum, expressou a importância de que estes debates possam servir para alimentar a articulação sindical com o restante dos movimentos sociais na idéia de incidir nas definições apresentadas para a CASA. A presença dos/as sindicalistas em todos os espaços de debate da Cumbre Social pela Integração dos Povos, permitirá apresentar a visão do mundo do trabalho em cada um dos eixos definidos pelo conjunto do movimento social para propor o dialogo e a negociação com os governos presentes em Cochabamba.

Finalizando ele indicou que a ORIT terá no próximo ano uma agenda muito intensa relacionada com o processo de formação da nova central das Américas e que o tema da integração e do papel dos sindicatos seria um eixo central na definição da nova regional americana. Ele convidou a todos/as presentes e a suas organizações para participarem nos espaços de debate que serão convocados, garantindo um processo respeitosos das diferenças e, no espírito de fortalecimento do movimento sindical, além das afiliações e tendências internacionais.

O Fórum Sindical pela Integração contou com a participação de cerca de 100 delegados/as das diferentes regiões do Continente, Europa e uma representação importante da Central Obrera Boliviana, que foi anfitrião do evento. Participaram também representantes da CTC de Cuba, Federação Sindical Mundial e a FBT-UNT da Venezuela.

 

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